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Polícia Civil de SC identifica adolescente como responsável pela morte do cão Orelha

  • Foto do escritor: Dr. Cláudio Cezar Freitas
    Dr. Cláudio Cezar Freitas
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu na terça-feira (3) um inquérito que chocou o país e mobilizou protestos em diversas capitais: a morte brutal do cão comunitário Orelha, símbolo de afeto e convivência na Praia Brava, em Florianópolis. O caso, cercado de comoção, versões conflitantes e forte pressão popular, ganhou novos e contundentes desdobramentos após semanas de investigação sigilosa.


Segundo a apuração oficial, Orelha não foi vítima de agressões coletivas, como se chegou a divulgar inicialmente. A Polícia Civil afirma agora que a morte do animal foi provocada por um único adolescente, cuja identidade não foi revelada por se tratar de menor de idade. O jovem, de acordo com os investigadores, deixou o Brasil dias após o crime em uma excursão escolar para os Estados Unidos e retornou antecipadamente ao país a pedido das autoridades, em uma manobra que evitou risco de fuga e possível destruição de provas.


Diante da gravidade dos fatos, a polícia solicitou a internação do adolescente e indiciou outros três adultos por coação a testemunhas, indicando uma tentativa de interferência direta no andamento das investigações. Nenhum dos envolvidos foi identificado publicamente.


Em nota, a defesa do adolescente, representada pelos advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, reagiu com veemência. Segundo eles, as informações divulgadas pela polícia se baseiam em “elementos circunstanciais”, que não constituiriam prova concreta nem autorizariam “conclusões definitivas”. A defesa afirmou ainda que, até esta terça-feira, não teve acesso integral aos autos do inquérito e classificou o caso como “politizado”.


Outro ataque: Caramelo também foi vítima

Paralelamente, a Polícia Civil investigou agressões contra Caramelo, outro cão comunitário da Praia Brava, atacado dias após a morte de Orelha. Diferentemente do primeiro caso, este contou com registros em vídeo. As imagens mostram quatro adolescentes agredindo o animal, levando-o ao mar e, em outro momento, jogando-o para dentro de um condomínio a partir de um muro de cerca de 1,5 metro de altura.


A polícia foi categórica ao afirmar que os adolescentes envolvidos no ataque a Caramelo não têm qualquer ligação com o caso Orelha. Apesar da violência, Caramelo sobreviveu. “São adolescentes diferentes, em situações distintas, embora igualmente graves”, destacou a corporação. Os dois inquéritos já foram concluídos e encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário.


Laudos revelam violência extrema

Orelha foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30. Laudos da Polícia Científica apontam que o cão sofreu uma pancada contundente na cabeça, compatível com um chute violento ou o uso de um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa. No dia seguinte, o animal foi resgatado por uma moradora da região, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária, aprofundando ainda mais a revolta da comunidade.


Contradições e provas desmontaram versão do suspeito

Ao menos oito adolescentes chegaram a ser investigados ao longo do inquérito. Não há imagens que mostrem diretamente o momento da agressão contra Orelha, mas a identificação do principal suspeito ocorreu a partir de contradições em seu depoimento, cruzadas com imagens de câmeras de segurança e análise de roupas apreendidas após seu retorno dos Estados Unidos.


De acordo com a polícia, o adolescente deixou o condomínio onde estava hospedado às 5h25 da manhã e retornou às 5h58 acompanhado de uma amiga — fato omitido em seu depoimento inicial. Ele afirmou ter permanecido na área da piscina durante todo o período, sem saber que os investigadores já possuíam imagens que o colocavam fora do local no horário do crime.


Outras testemunhas e provas reforçaram a suspeita. A polícia também identificou tentativa de ocultação de evidências: um familiar do adolescente teria escondido um boné rosa utilizado no dia do crime e fornecido informação falsa ao afirmar que um moletom usado pelo jovem havia sido comprado durante a viagem internacional. Posteriormente, o próprio adolescente admitiu que a peça já era sua e foi utilizada no dia da agressão.


“A investigação foi conduzida com absoluto rigor e discrição justamente para evitar fuga, destruição de provas ou interferência externa”, informou a Polícia Civil, destacando que o silêncio estratégico foi fundamental para o avanço do caso.


O assassinato de Orelha expôs não apenas a brutalidade contra animais, mas também levantou um alerta nacional sobre violência juvenil, omissão, tentativas de encobrimento e a urgência de responsabilização. Agora, caberá ao Ministério Público e ao Judiciário decidir os próximos passos de um caso que já marcou profundamente a sociedade brasileira.







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