Duas rodas, alto risco: 7 em cada 10 mortos no trânsito são motociclistas
- Dr. Cláudio Cezar Freitas

- há 17 minutos
- 4 min de leitura

Motociclistas concentram maioria das mortes no trânsito de Porto Alegre em 2025, aponta balanço da EPTC
Um levantamento parcial divulgado pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) revela um cenário preocupante sobre a segurança viária em Porto Alegre. Dados referentes a 2025 indicam que, das 84 vítimas fatais registradas em sinistros de trânsito nas vias urbanas da Capital, 38 eram condutores de motocicletas, o que evidencia a elevada vulnerabilidade desse modal no contexto urbano atual.
O balanço foi elaborado com base nas análises do Programa Vida no Trânsito (PVT), iniciativa coordenada pelo Ministério da Saúde e da qual Porto Alegre participa desde 2012. O programa realiza a investigação sistemática de todos os sinistros fatais, com o objetivo de identificar fatores de risco, padrões de comportamento e subsidiar políticas públicas voltadas à redução de mortes no trânsito.
Entre janeiro e dezembro de 2025, Porto Alegre contabilizou 83 sinistros de trânsito com morte, resultando em 84 óbitos. O número repete o total registrado no ano anterior, indicando uma estabilização nos índices após anos de crescimento. Apesar disso, as autoridades alertam que o patamar ainda é elevado e exige atenção contínua.
O perfil das vítimas mostra que os condutores representam a maioria dos óbitos, com 54 mortes, equivalentes a 64% do total. Os pedestres aparecem em seguida, com 24 vítimas fatais, correspondendo a 29%, enquanto os ocupantes de veículos na condição de carona somaram seis mortes, ou 7%.
O levantamento evidencia o impacto expressivo das motocicletas nos sinistros fatais ocorridos ao longo do ano. As motos estiveram envolvidas em 45 das 84 mortes registradas, o que corresponde a 53% dos óbitos no trânsito da Capital. Desse total, 38 vítimas eram motociclistas, representando 45% das mortes gerais e 70% do total de condutores mortos.
Além das mortes de motociclistas, esse tipo de veículo também esteve envolvido em outras sete ocorrências fatais, incluindo o atropelamento de seis pedestres e a morte de um ocupante de veículo, o que reforça a centralidade das motocicletas nas dinâmicas mais graves do trânsito urbano.
Entre os motociclistas mortos, 13 estavam vinculados à atividade de motofrete. Desses, sete exerciam a atividade profissional no momento do sinistro, enquanto seis estavam fora do horário de trabalho. Outras 16 vítimas não atuavam como motoboys, indicando que o problema está fortemente associado ao uso cotidiano da motocicleta como meio de transporte, e não apenas às exigências da atividade profissional. Em relação a nove vítimas, não foi possível obter informações suficientes.
A análise etária aponta que a idade média geral das vítimas fatais é de 40 anos. Entre os condutores de motocicleta mortos, a média cai para 32 anos, uma das mais altas dos últimos cinco anos, indicando maior exposição ao risco entre adultos jovens em idade produtiva.
Além dos motociclistas, o trânsito de Porto Alegre em 2025 vitimou nove ciclistas, seis motoristas de automóveis e um condutor de patinete. Entre os 24 pedestres mortos, dez foram atropelados por automóveis, sete por ônibus, seis por motocicletas e um por trator. Os dados reforçam a vulnerabilidade dos usuários mais expostos e a necessidade de ações específicas de engenharia, fiscalização e educação.
Os idosos também aparecem como um grupo fortemente impactado. Com 17 vidas perdidas, eles representam 20% das vítimas fatais. Em 13 desses casos, a causa foi atropelamento, evidenciando fragilidades relacionadas à mobilidade e à infraestrutura urbana.
A distribuição geográfica dos sinistros com morte aponta maior concentração nas regiões Sul, Leste e Norte da cidade. As ocorrências se concentram principalmente em vias arteriais de grande fluxo, com destaque para as avenidas Bento Gonçalves, Cavalhada, Edgar Pires de Castro, Ipiranga, Juca Batista e Protásio Alves. A única via com um sinistro que resultou em duas mortes foi a avenida Edvaldo Pereira Paiva, onde dois ciclistas perderam a vida no início do ano, na Área de Lazer.
A análise dos sinistros fatais já investigados em 2025 indica que o principal fator de risco identificado foi o desrespeito à sinalização viária, especialmente o avanço de sinal de pare ou de semáforo. Também se destacam como condutas recorrentes a velocidade excessiva ou inadequada, a condução sem Carteira Nacional de Habilitação regular, a alcoolemia e o trânsito ou conversão em locais proibidos. Em 25% dos sinistros houve envolvimento de pelo menos um condutor sem habilitação regular.
Embora seja de difícil comprovação técnica em muitos casos, o uso de telefone celular ao dirigir é amplamente reconhecido como um importante fator de risco, por provocar distração visual, manual e cognitiva, reduzindo o tempo de reação e aumentando a probabilidade de erros.
Para o diretor-presidente da EPTC, Pedro Bisch Neto, apesar do cenário ainda preocupante, Porto Alegre conseguiu frear a curva de crescimento das mortes no trânsito nos últimos anos. Segundo ele, a cidade ocupa atualmente a segunda posição entre as capitais brasileiras com menor taxa de mortes no trânsito por 100 mil habitantes, um indicador relevante, mas que não permite acomodação.
Ele destaca que, para avançar ainda mais, é fundamental intensificar a integração entre tecnologia, fiscalização rigorosa e ações educativas, promovendo uma conduta mais prudente e responsável ao dirigir. Para o dirigente, somente com a colaboração de todos será possível reduzir de forma consistente os índices de mortes no trânsito.
Os indicadores relacionados à alcoolemia e ao uso de substâncias ainda seguem em apuração, mas o diagnóstico já permite direcionar políticas públicas de prevenção com foco na mudança de comportamento dos usuários das vias.
Pedro Bisch Neto conclui que cada morte no trânsito representa uma perda irreparável e reforça a necessidade de conscientização dos condutores sobre os riscos do desrespeito à sinalização. Segundo ele, respeitar as regras de trânsito, especialmente o sinal vermelho, é uma atitude de prudência, responsabilidade e compromisso com a preservação da vida.
Desde 2012, Porto Alegre integra o Programa Vida no Trânsito, que realiza a análise sistemática de todos os sinistros fatais com o objetivo de identificar fatores de risco e subsidiar ações de educação, planejamento urbano e fiscalização. Os dados divulgados são parciais, pois, conforme critério técnico adotado nacional e internacionalmente, são consideradas mortes no trânsito aquelas ocorridas até 30 dias após o sinistro, em decorrência direta das lesões sofridas, seguindo recomendações da Organização Mundial da Saúde. Os indicadores podem ser revisados à medida que as informações forem consolidadas.
Os demais dados do levantamento parcial podem ser consultados no site oficial da EPTC.
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