Witzel acusa Bolsonaro de omissão e pede para ser ouvido em 'sessão reservada'


Em uma sessão tumultuada, o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) disse na quarta-feira (16/6) à CPI da Covid que sofreu impeachment e foi perseguido por mandar investigar o assassinato da vereadora Marielle Franco.


"Isso tudo aconteceu porque eu mandei investigar sem parcialidade o caso Marielle", afirmou o ex-governador, citando uma live de Jair Bolsonaro (sem partido) em que ele foi criticado pelo presidente.

O depoimento de Witzel foi marcado por troca de acusações e ofensas com senadores governistas, entre eles Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ), filho do presidente.

Witzel retirou-se antes do fim da sessão. Ele falou por 4 horas e 30 minutos, antes de decidir deixar a comissão por se sentir desrespeitado por aliados do presidente.

Esse direito foi concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte deu um habeas corpus ao ex-governador, que é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em fraudes que teriam sido cometidas na área da saúde durante a pandemia.

Witzel foi convocado à CPI justamente para falar sobre o uso de verbas federais na área de saúde do seu Estado. A comissão investiga se houve desvio de recursos destinados ao combate à pandemia.

O STF havia liberado o ex-governador de comparecer à comissão porque ele tinha sido convocado para falar sobre fatos sobre os quais já é investigado ou processado. Mesmo assim, Witzel afirmou que iria.

Mas, conforme a decisão do STF, o ex-governador não estava obrigado a falar a verdade e poderia ficar em silêncio quando achar conveniente ou se retirar, como acabou de fato fazendo.



O que Witzel disse


Witzel foi eleito em 2018 fazendo campanha para Bolsonaro, mas se desentendeu com o presidente após assumir.

Na campanha, o ex-governador notoriamente apoiava o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), que quebrou a placa em homenagem a Marielle e hoje está em prisão domiciliar.

Witzel foi afastado do governo em 2020 e perdeu definitivamente o cargo de governador ao sofrer um impeachment em abril de 2020.

Ele está proibido de ocupar cargos públicos por cinco anos. Entre as acusações, havia denúncias de corrupção envolvendo propinas pagas por Organizações Sociais (OSs) na área de saúde.

Witzel, que sempre negou as acusações, disse à CPI que nunca recebeu dinheiro das OSs. "Eu quero saber para quem foi o dinheiro", afirmou. "Eu saí, e as OSs estão lá, operando livremente".

"Eu tenho certeza que tem miliciano atrás disso, e eu corro risco de vida", afirmou à CPI.

Witzel também declarou que não tinha como participar da gestão de leitos em hospitais federais do Rio de Janeiro, porque eles "têm dono".

"Os hospitais federais são intocáveis. Se a CPI quebrar os sigilos das OS que gerem os hospitais, vai descobrir quem é o dono dos hospitais", disse.

Questionado sobre quem seria essa pessoa e se Bolsonaro interferiu em seu governo, Witzel disse que só falaria em uma sessão reservada, porque as "acusações são gravíssimas". A cúpula da CPI ainda vai decidir como vai ouvi-lo reservadamente.

Respondendo ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), ele afirmou que deputados federais e estaduais organizaram carreatas para pedir que comerciantes abrissem suas lojas no Rio de Janeiro, contrapondo medidas de restrição adotadas pelo governo do Estado. Ele não respondeu se tinha informações se milicianos participaram do movimento.


Fonte: Agência do Senado



 

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